Quem está acompanhando as notícias dos últimos dias deve ter ouvido falar de uma nova "crise financeira".
Hoje queria apenas deixar aos leitores o seguinte questionamento: "Se a economia de mercado (neoliberalismo) é melhor que a economia de estado (keynesianismo) porque as bolsas de valores atuais (símbolos da economia de mercado) precisam de um mecanismo que interrompe as negociações "circuit breaker?"
Apresento alguns dos meus pensamentos sobre o Movimento Zeitgeist e afins tentando fazer uso da matemática (por isso matrizes) a um nível bem elementar.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Slow Science
Tomei conhecimento esta semana do manifesto disponibilizado em http://slow-science.org/ e transcrevo a seguir:
THE SLOW SCIENCE MANIFESTO
We are scientists. We don’t blog. We don’t twitter. We take our time.
Don’t get us wrong—we do say yes to the accelerated science of the early 21st century. We say yes to the constant flow of peer-review journal publications and their impact; we say yes to science blogs and media & PR necessities; we say yes to increasing specialization and diversification in all disciplines. We also say yes to research feeding back into health care and future prosperity. All of us are in this game, too.
However, we maintain that this cannot be all. Science needs time to think. Science needs time to read, and time to fail. Science does not always know what it might be at right now. Science develops unsteadily, with jerky moves and unpredictable leaps forward—at the same time, however, it creeps about on a very slow time scale, for which there must be room and to which justice must be done.
Slow science was pretty much the only science conceivable for hundreds of years; today, we argue, it deserves revival and needs protection. Society should give scientists the time they need, but more importantly, scientists must take their time.
We do need time to think. We do need time to digest. We do need time to misunderstand each other, especially when fostering lost dialogue between humanities and natural sciences. We cannot continuously tell you what our science means; what it will be good for; because we simply don’t know yet. Science needs time.
—Bear with us, while we think.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Consumidor tão bonzinho
Foi publicado hoje na Folha um artigo de Maria Inês Dolci (advogada formada pela USP com especialização em business, é especialista em direito do consumidor e coordenadora institucional da ProTeste Associação de Consumidores) intitulado "Consumidor tão bonzinho" abordando a questão de preços e qualidade de serviços atualmente no Brasil. A seguir encontra-se a integra do artigo retirado do blog "Conteúdo Livre":
Nunca imaginei, honestamente, que tantas coisas positivas acontecessem ao Brasil nas últimas décadas. Ou melhor, pensei que as coisas mudassem para melhor logo após o final da ditadura militar, mas os primeiros governos civis foram frustrantes, com resultados pífios.
Dentre as boas surpresas, destaco o sucesso no combate à inflação, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e suas consequências, a redução da pobreza e a ascensão das classes C e D.
Confesso que esperava muito mais das agências reguladoras, e que é triste ver os brasileiros ansiosos por bons serviços públicos, submetidos a apagões de energia, a aeroportos mal administrados, a telefonia móvel de má qualidade e acesso à banda larga idem.
A continuidade do poder absoluto do sistema financeiro é outra pedra no sapato do consumidor.
Nos últimos anos, com a valorização do real ante o dólar, e a ampliação dos consumidores com alguma renda, enfrentamos outro fenômeno preocupante, que poderá desfazer parte da inclusão social: o encarecimento do país.
Especialmente em São Paulo e em outras grandes cidades, pagamos preços absurdos, extorsivos, quase inacreditáveis, por um prato de macarrão, pelo estacionamento do automóvel, por serviços em geral.
Estamos longe de contar com uma boa distribuição de renda. Há mais empregos formais, mas somos, em média, muito mal remunerados. É verdade que um empregador que pague R$ 2.000 para um profissional destina outro tanto em impostos e taxas ao governo.
Há vários fatores que condicionam a elevação de preços: alta carga tributária; especulação livre e desenfreada; crescente oligopolização da economia nacional; falta de mobilização dos consumidores.
Esqueçamos, por um instante, os três primeiros itens. Afinal, dificilmente mudarão no curto prazo, ainda mais sem ações concretas dos três Poderes para que isso ocorra.
A mobilização, contudo, cabe a nós. Por que não brigamos pelos nossos direitos? Por que não usamos nosso poder de fogo, como consumidores organizados, para boicotar, por exemplo, as empresas de estacionamento que nos cobram, em São Paulo, R$ 30 por três horas de serviços?
Porque podemos pagar. E também para não quebrar nossa rotina de imobilismo.
Somos capazes de sair às ruas para protestar contra o fraco desempenho da seleção brasileira em campo.
Mas não nos dignamos a comparecer a uma esporádica reunião de condomínio do prédio, que decidirá, entre outras coisas, o reajuste da mensalidade cobrada pelos serviços prestados no edifício em que moramos.
Enfrentamos uma longa espera em um restaurante da moda, pagamos muito caro por um prato mais ou menos, e por um serviço de má qualidade, sem nenhum questionamento.
Se boicotássemos aqueles que abusam dos preços -sem nenhum espírito dos antigos "fiscais do Sarney"- a situação mudaria. Mas, não, se há como pagar, que se pague.
Imóveis dobraram de preço. Nossos automóveis são caríssimos e não dispõem de itens de segurança para lá de básicos em países desenvolvidos. As tarifas de luz, de água, de telefone e de banda larga estão entre as mais salgadas do mundo.
Apesar disso, nem nos damos ao trabalho de avaliar, periodicamente, o trabalho dos políticos que elegemos. Na maioria das vezes, esquecemos os nomes dos candidatos nos quais votamos.
A cidade de São Paulo, uma das mais ricas do mundo, uma cornucópia de geração de tributos em todos os níveis de governo, está à matroca. Ruas esburacadas, trânsito infernal, transporte coletivo ruim, tudo isso permeado por apagões e por uma poluição insana, nos dias mais secos do inverno.
Assistimos a tudo como se fosse um filme ruim, de um Freddy Krueger que nos ameaça impunemente.
Ou nos mexemos, ou em breve tudo custará o dobro, porque quem cala, e aceita quieto, consente.
Como dizia uma personagem de humor, com sotaque norte-americano, "brasileiro tão bonzinho".
Pois somos.
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domingo, 7 de agosto de 2011
O YouTube matou o passado
Ontem foi publicado na Folha um artigo, muito interessante, de autoria de Álvaro Pereira Júnior (graduado em química e jornalismo pela USP, com especialização em jornalismo científico pelo MIT. Trabalha no programa "Fantástico", na TV Globo.) intitulado "O YouTube matou o passado". Segue abaixo transcrição do mesmo retirado do blog "Conteúdo Livre".
Jovens de 14, 15 anos têm Renato Russo como ídolo. O líder da Legião Urbana morreu em 1996, mas os fãs de hoje talvez nem saibam, ou não se importem.
Porque Russo está vivo na internet, mais precisamente nos 27,8 mil vídeos que são obtidos ao se digitar "Renato Russo" ou "Legião Urbana" no campo de buscas do YouTube.
Estão lá as coreografias espasmódicas, como as de Ian Curtis (do Joy Division). O visual florido igual ao de Morrissey (dos Smiths). O mico no especial de Natal do Chacrinha, com a banda toda de chapeuzinho de Papai Noel. As letras sem fim, simplórias, mas sinceras. Renato Russo, vivo em voz e rosto. E essa perenidade on-line não é exclusividade dele. É geral.
O YouTube matou o passado. Além de exterminar mistérios e mitos.
Os Beatles fizeram um show em cima de um prédio, em 1969. Loucura! Soava como lenda para a meninada do meu tempo. Esse tipo de sentimento acabou. As lendas juvenis se tornaram realidade palpável. Basta procurar na web por "Beatles rooftop concert". Show na íntegra, em alta definição.
Os Sex Pistols falando palavrões na TV inglesa, em 1976, num dos momentos mais marcantes da história do rock? A cena está na web. David Byrne em 1983, tenso, mordendo os lábios, incapaz de se comunicar com o apresentador David Letterman? Está on-line também. No século passado, um amigo dizia: "Das minhas dez bandas favoritas, nove eu nunca escutei". Explicando: só conhecíamos aqueles grupos no papel, em revistas e em jornais importados.
Fotos espetaculares, nomes impossivelmente sonoros: Alien Sex Fiend, Sex Gang Children, June Brides, Inca Babies. Que som faziam? Não tínhamos ideia, exceto uma vaga noção de que deveria ser "dark" (o que atualmente é chamado de gótico). Hoje, essa paixão misteriosa seria impensável. Haveria dezenas de clipes na rede. E os exemplos não ficam só na música. Na ciência, poucos encontros foram mais importantes do que a conferência Solvay, de 1927. Meses antes, rejeitando a física probabilística, Albert Einstein sentenciara: "Deus não joga dados".
Junto a ele, no congresso, debatiam intensamente Niels Bohr, Werner Heisenberg, Paul Dirac, Erwin Schrödinger, Wolfgang Pauli, Max Born e outros físicos estelares.
Um encontro monumental. Difícil acreditar que tivesse mesmo acontecido. Mas veja e creia: no YouTube, é "Solvay Physics Conference 1927". O vídeo foi visto quase 115 mil vezes. Antes disso, deve ter mofado por anos, esquecido em algum arquivo de universidade. Era passado. Virou presente.
Na política, acontece algo semelhante. Em 1960, Richard Nixon foi massacrado por John Kennedy em um debate presidencial. O velho escroque republicano, inseguro, suarento e mal vestido, viu desaparecerem suas últimas chances de vitória diante do democrata bonitão e bem ensaiado.
Cresci lendo sobre esse debate, que Paulo Francis citava com frequência aqui mesmo na Folha. Passei anos imaginando como teria sido. Hoje, não seria necessário. O programa está na íntegra no YouTube ("Kennedy-Nixon debate").
São evidentes os pontos positivos de tanta informação disponível. O rigor da comprovação factual. A fartura de fontes primárias. A falta de necessidade de intermediários ou epígonos: os originais estão todos à mão. Mas talvez haja um lado perverso desse "continuum". Onde não há passado, não há ruptura. Se tudo está vivo, nada pode ser superado.
Um exemplo cristalino vem, de novo, da música. Na segunda metade dos anos 70, o punk inglês queria (e conseguiu) enterrar os dinossauros do rock grandioso e autoindulgente. Foi uma revolução, uma quebra de paradigma. A instalação de uma nova ordem (infelizmente, apenas musical).
Hoje, no entanto, é difícil pensar em um fenômeno do tipo. Nada vai embora de verdade. O leitor de estômago mais forte pode procurar no YouTube por "Emerson Lake Palmer Gnome" e rapidamente verá o trio progressivo assassinar a suíte para piano "Quadros de uma Exposição", do compositor clássico Modest Mussorgsky.
No YouTube, Emerson, Lake and Palmer estão tão vivos quanto os Sex Pistols. O que talvez explique a situação da música atual, onde tudo é válido, manso, todos se amam e não se enxerga conflito geracional. Tema para uma próxima coluna.
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