Recebi mensagem do meu ex-aluno Aparecido. “Ao ler esta matéria http://www.economist.com/node/21545974 nao pude deixar de lembrar quando professor comentava sobre as dificuldades em se publicar artigos ou livros. Acho muito oportuno a ideia que segue no artigo, bem como a disponibilizacao de seu livro no Blog.”
Dá satisfação a qualquer professor os ex-alunos demonstrarem que algumas ideias foram bem assimiladas.
O boicote que acadêmicos estão começando a fazer a certas editoras comerciais é sintomática de conflito mais amplo existente entre os acadêmicos e seus editores. Este conflito está sendo posto em relevo acentuado pelo aumento das publicações online. Acadêmicos, que vivem em cultura que valoriza a livre e fácil circulação de informações, e que publicam e arbitram textos, emitindo pareceres, tudo gratuitamente, têm sido companheiros desconfortáveis para editoras comerciais. Estas querem maximizar os lucros com a cobrança pelo acesso a essa informação. Elas controlam muitas (embora não todas) das mais prestigiadas revistas científicas. Nos EUA, fazem lobby contra a disseminação gratuita de trabalhos científicos.
Para muitos, é surpreendente até que as coisas tomaram tanto tempo para ferver. Acadêmicos foram os primeiros a adotar a internet com todas as possibilidades de sair do controle de editores, publicando fora do circuito restrito que eles oferecem. Tem sido feito, de fato, tentativas de criar alternativas para a publicação comercial e a acadêmica monopolizada por determinadas correntes de pensamento.
Mas apesar do entusiasmo com essas publicações paralelas, há razões para continuar ainda a predominância dos editores tradicionais. Publicações on line, embora sujeita a comentários pós-publicação impiedosos, não são formalmente revisados antes de serem publicados. A sua qualidade é, em consequência, bastante irregular. Algumas dependem, em parte, de doações, mas outras também cobram taxas para publicação que podem atingir até 2.900 dólares por texto. Estes devem ser pagos pelos autores, sendo gasto significativo para os Departamentos que precisam de dinheiro da Universidade. Há também preconceito persistente contra publicação exclusivamente eletrônica. As alternativas postadas na web muitas vezes parecem ser menos respeitáveis do que os seus equivalentes publicados em papel derivado de derrubada de árvores.
Isso é ponto importante, porque os Departamentos de Universidades (e seus pesquisadores individuais) são avaliados tanto pelo número de artigos que publicam quanto pela reputação das revistas em que esses textos aparecem. Os jovens pesquisadores, dos quais se pode esperar abraçar novas formas de fazer as coisas, no entanto, aceitam a “regra do jogo”, buscando publicar em revistas de renome existentes, pois eles querem o reconhecimento e a promoção. Essa definição de “respeitável” sofre mudança muito lentamente, então os editores de revistas com melhor reputação (no Brasil a “reputação” é imposta pelo Qualis) podem escolher à vontade o que e quem pode publicar.
Editoras comerciais começam a experimentar, timidamente, conceder o livre acesso a idéias, tais como buscar novos autores para publicação ao invés de apenas leitores. Mas se o boicote acadêmico à ditadura dos editores continuar a crescer, as coisas podem tornar-se mais urgente. Afinal de contas, os editores precisam mais de acadêmicos do que acadêmicos precisam de editores. Muitas vezes, líderes parecem ser invulneráveis até que de repente caem. Cuidado, então, com a Primavera Acadêmica!
Apresento alguns dos meus pensamentos sobre o Movimento Zeitgeist e afins tentando fazer uso da matemática (por isso matrizes) a um nível bem elementar.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Publicações Científicas: A Primavera Acadêmica
Li no blog de Fernando Nogueira da Costa o artigo intitulado "Publicações Científicas: A Primavera Acadêmica". A seguir encontra-se cópia do mesmo.
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